segunda-feira, 8 de fevereiro de 2010

Exportação de serviços tecnológicos triplicou


Entre 2004 e 2009 triplicaram as exportações nacionais de produtos e serviços tecnológicos. Foi anunciado pelo Governo que no ano 2010 deverá manter os investimentos nas áreas de Ciência e Tecnologia, no sentido de continuar a contribuir para este crescimento.
De acordo com o Portal do Governo, Portugal exportou 1.300 milhões de euros em serviços tecnológicos, o triplo do valor alcançado há cinco anos, e perante esta evolução o chefe do executivo do Governo afirma que a ambição é «transformar o Plano Tecnológico numa orientação central económica».
Foi por esta razão que escolhi o tema para colocar à consideração de todos os que tiverem a ousadia de ler e comentar neste espaço.


A minha pergunta, apoiada neste grande desígnio nacional premente de aumentar as exportações em contraposição às importações (embora o princípio seja um pouco proteccionista), é a curiosidade de questionar a quem porventura pense saber, por qual motivo não pode o nosso país produzir automóveis para exportação, que sejam autenticamente portugueses, de marca portuguesa, com tecnologia portuguesa… Por certo, já muitos terão imaginado a quantidade de empresas que uma indústria destas faria desenvolver de forma indirecta, quantos postos de trabalho existiriam no mercado, quanta mão de obra qualificada e horas de formação seriam ministradas, quantas indústrias de tecidos e afins trabalhariam para os interiores, quanto cresceria a indústria metalúrgica, a do fabrico de pneus, de tapetes para automóveis, de tintas, de baterias eléctricas, de ferramentas, de transportes rodoviários, de colunas de som, enfim, arrastaria tanto desenvolvimento que os salários poderiam ser melhores, o consumo aumentava forçosamente por força dos melhores salários, o Estado embolsaria muito capital com os impostos directos e indirectos, podendo (se para isso existirem pessoas sérias que queiram e não sejam do grupo dos quinze, de quem falava Eça de Queiroz em “1871”) rectificar o rumo deste país, competindo no mercado Europeu, melhorando a vida dos portugueses. Afinal somos tão poucos e podíamos viver todos tão bem! Ponham os olhos em países mais pequenos, que mesmo sem cobrarem impostos têm salários altos e um bom nível de vida…
E isto era assim tão difícil? – Temos ou não, o Know-How suficiente? – Sabemos ou não, construir automóveis para os outros? – Temos ou não, qualidade?
Meus caros, se fabricamos para os outros aquilo que é deles, mas que nós conhecemos, sabemos como, sabemos onde e porquê, porque não vamos fazer o mesmo?
A França começou a construir automóveis, inicialmente através da iniciativa privada apoiada pelo estado (André Citrôen, Renault e Peugeaut entre outras de menor expressão) e depois com as nacionalizações da indústria automóvel, fulcral para qualquer economia, moderna e pós-moderna. A Itália é um país forte porque constrói automóveis, a Alemanha, a Inglaterra, até a Espanha (Seat antes de ser adquirida pelos alemães), a Suécia, o Japão, as Coreias, a América, a Índia, a China, a Rússia… tantos países e todos eles com economias muito mais fortes e evoluídas que a nossa (talvez a Espanha esteja pior no momento, mas ainda assim é um dos maiores investidores no nosso país).
Quando ouço os responsáveis deste país a falarem em evolução de planos tecnológicos e de quererem torná-los o principal suporte económico, faz-me alguma confusão não aproveitarmos o profundo conhecimento e profissionalismo dos portugueses que trabalham nas Auto Europa deste país, nas empresas de cablagens para automóvel deste país, nas indústrias metalúrgicas que fabricam as peças para os motores dos outros países (segmentos), nas indústrias que fabricam pneus para marcas de outros países, dos projectos de engenharia mecânica, electrónica e electrotécnica, assim como, robótica que estão nas gavetas das nossas universidades por falta de apoios estatais…
A grande questão é mesmo esta: - Não teria sido preferível, apostar numa indústria automóvel (fosse totalmente privada com poder de decisão em Portugal, fosse em parcerias público - privadas, ou numa fase inicial, fosse até nacionalizada), desenvolvendo um projecto que envolvesse a engenharia portuguesa, o design português, uma marca portuguesa para competir na Europa, em lugar de investir em barragens inúteis (Alqueva) e outras que poderiam esperar, em mais uma auto-estrada Lisboa – Porto, em mais pontes na capital, em dez estádios de futebol (por muito que me tenha orgulhado do ambiente e da visibilidade que deu ao país o Euro 2004), em mais um aeroporto em Lisboa, na rede de alta velocidade que mais uma vez encherá os bolsos dos investidores estrangeiros, que acabam sempre por investir menos do que lucram connosco (e que no caso, fecham as portas aos outros no que tocar a obras de dimensão nacional), no dinheiro investido na compra de bancos de pessoas que desgraçaram famílias inteiras e que protegidas pela lei e pelo “status” social e académico, ficam bem instalados em cómodas prisões onde nada falta e nós todos pagamos, onde ficam dois ou três anos e quando saem vão-se gozar dos milhões que enfiaram nos paraísos fiscais…
Vamos pensar um pouco e decidir o que queremos para o nosso futuro. Se quisermos mais do mesmo, teremos mais do mesmo. Se quisermos efectivamente mudar algo, teremos de ser nós todos a mobilizarmo-nos e a pressionar os responsáveis pelo esbulho em que mergulhou Portugal.
Tudo o que se gastou, se fosse bem aplicado e produzisse riqueza nacional, com melhores salários os portugueses produziam mais e melhor, consumiam mais e melhor, estudavam mais e melhor, investiam mais e melhor e o estado cumpria mais e melhor, acabaria por gastar menos e melhor, as infra-estruturas seriam então mais e melhores (depois de gerar riqueza), atrairiam mais turismo, baixaria a criminalidade, a pobreza, as diferenças sociais seriam bem menores e nós todos (o Estado, sim o Estado somos nós todos) viveríamos então num país de indústria e construção e não num país de comércio e consumo. Olhem que o Comércio e os Serviços prestados, nunca enriqueceram nenhum país.

Mar de Areia

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